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Domingo, 11 de Junho de 2006

Curso Basico de Espiritismo - Parte 1 de 2

Curso Básico de Espiritismo

 

AULA 1

A Origem do Espiritismo

Historicamente o espiritismo surgiu a partir dos fenômenos de movimentação de objetos, varificado em diferentes países, na Europa e na América.

O marco de tais acontecimentos, todavia, foram as manifestações ocorridas na aldeia de Hydesville, no condado de Wayne, perto de New York, Estados Unidos da América. Ali morava a família Fox, composta de três filhas, das quais duas viviam com os pais; os Fox se estabeleceram na casa desde 1847.

Na noite de 28 de março de 1848, nas paredes de madeira do barracão de John Fox, começaram a soar pancadas incômodas, perturbando o sono da família, toda ela metodista. As meninas Katherine (9 anos), e Margaretha (12anos), correram para o quarto dos pais, assustadas com os golpes fortes na parede o no teto do seu quarto.

As pancadas ou "raps" começaram nesta noite; depois ouvia-se o arrastar de cadeiras e, com o tempo os fenômenos tornara-se mais complexos: tudo estremecia, os objetos se deslocavam, havia uma explosão de sons fortes.

Três noites seguidas, até 31 de março de 1848, os fenômenos se repetiram intensamente, impedindo que os Fox conciliassem o sono. O Sr. Fox deu buscas completas pelo interior e pelo exterior da casa, mas nada encontrou que explicasse as ocorrências.

A menina Kate um dia, já um tanto acostumada com o fenômeno, pôs-se a imitar as pancadas, batendo com os dedos sobre um móvel, enquanto exclamava em direção a origem dos ruídos: " Vamos Old Splitfoot, faça o que eu faço". Prontamente as pancadas do "desconhecido" se fizeram ouvir, em igual número, e parava quando a menina também parava.

Margaretta, brincando disse: "Agora faça o mesmo que eu: conte um, dois, três, quatro", e ao mesmo tempo dava pequenas pancadas com os dedos, foi-lhe plenamente satisfeito esse pedido, deixando a todos estupefatos e medrosos.

As meninas Fox eram protestantes e supunham tratar-se do demônio e chamavam o batedor de Mr. Splitfoot, ou seja, senhor pé de bode. A família estava alarmada, logo a notícia se espalhou, vizinhos e curiosos vinham visitá-las. Mr. Duesler idealizou, então, o alfabeto para poderem traduzir as pancadas e compreenderem o que dizia o invisível.

O batedor invisível, apoiado neste alfabeto improvisado, contou a sua história: Chamava-se Charles Rosma; fora um vendedor ambulante e, hospedado naquela casa pelo casal Bell, ali o assassinaram para roubar-lhe a mercadoria e o dinheiro que trazia, o seu corpo fora sepultado no porão. Deram buscas no local indicado e acharam tábuas, alcatrão, cal, cabelos, ossos, utensílios.

Uma criada dos Bells, Lucrétia Pulver, declara que viu o vendedor e o descreve: diz como ele chegara à casa e refere o seu misterioso desaparecimento. Uma vez, descendo à adega, seu pé enterrou-se num buraco, e como falasse isto ao patrão, ele explicou que deveria ser ratos; e foi apressadamente fazer os reparos necessários. Ela vira nas mãos dos patrões objetos da caixa do ambulante.

Arthur Conan Doyle, no livro "História do Espiritismo", relata que cinquenta e seis anos depois foi descoberto que alguém teria sido enterrado na adega da casa dos Fox. Ao ruir uma parede, crianças que por ali brincavam descobriram um esqueleto. Os Bells, para maior segurança, haviam emparedado o corpo, na adega, onde inicialmente o haviam enterrado.

Em 25 de novembro de 1904, o Jornal de Boston noticiava que o esqueleto do homem que possivelmente produziu as batidas, ouvidas inicialmente pelas irmãs Fox, fora encontrado e portanto as mesmas estavam livres de qualquer dúvida com respeito à sinceridade delas na descoberta da comunicação com os espíritos.

Diversas comissões se formaram na época dos acontecimentos com a finalidade de estudar os estranhos fenômenos e desmascarar a fraude atribuída às Fox. Verificou-se que eles ocorriam na presença das meninas; atribuiu-se-lhes o poder da mediunidade. Nenhuma comissão, todavia, conseguiu demonstrar que se tratava de fraude. Os fatos eram absolutamente verdadeiros embora tivessem submetido as meninas aos mais rigorosos e severos exames, atingindo as vezes as raias da brutalidade. As irmãs Fox foram pressionadas. A igreja as excomungou como pactuantes do demônio. Foram acusadas de embusteiras, ameaçadas fisicamente muitas vezes.

Em 1888, ao comemorar os 40 anos dos fenômenos de Hydesville, Margaretha Fox, iludida por promessas de favores pecuniários feitas pelo cardeal Maning faz publicar uma reportagem no New York Herald que afirmava que os fenômenos que realizaram eram fraudulentos. Todavia, no ano seguinte, arrependida de sua falta de honestidade para com o espiritismo, reúne grande público no salão de música de New York e retrata-se de suas declarações anteriores, não só afirmando que os fenômenos de Hydesville eram verdadeiros, como provocando uma série de fenômenos de efeito físico no salão repleto de espectadores.

A retratação foi publicada na época. Consta no jornal americano The New York Press, de 20 de fevereiro de 1889. Como porém, a lealdade e a sinceridade não são requisitos dos espíritos apaixonados, ainda hoje, quando se quer denegrir a fonte do moderno Espiritismo, vem a tona a confissão das moças. Na retratação não se toca, ou quando se toca é para mostrar que não há no que confiar. Os pormenores ficam de lado.

 

 

AULA 2

As Mesas Girantes

 

Uma série progressiva de fenômenos deram origem á Doutrina Espírita. O primeiro fato observado foi a movimentação de objetos diversos. Designaram-no vulgarmente pelo nome de mesas girantes ou dança das mesas.

Tal fenômeno parece ter sido notado primeiramente na América do Norte de forma intensa, e propagou-se pelos países da Europa, como França, Inglaterra, Holanda, Alemanha e até a Turquia. Nos meados do século XIX, tendo como marco especialmente o ano de 1848, como os fenômenos de Hydesville já estudados, envolvendo a família Fox.

Todavia, a história registra que ele remonta à mais alta antigüidade, tendo-se produzido de formas estranhas, coo ruídos insólitos, fenômenos sem nenhuma causa ostensiva.

A princípio quase que só encontrou incrédulos, porém, ao cabo de pouco tempo, a multiplicidade das experiências não mais lhe permitiu lhe pusessem em dúvida a realidade.

O fenômeno de pancadas ou batidas foi chamado de "raps" ou "echoes"; os das mesas girantes ou moventes de "table-moving" para os ingleses e "table-tournante" para os franceses. No início, nos Estados Unidos, os espíritos só se comunicavam pelo processo trabalhoso e de grande morosidade de alguém dizer em voz alta o alfabeto e o espírito indicava através de pancadas no momento em que fossem pronunciadas as letras, que reunidas, formavam as frases. Era a telegrafia espiritual.

Os próprios espíritos indicaram, em fins de 1850, nova maneira de comunicação: bastava simplesmente que se colocassem ao redor de uma mesa, em cima da qual se apoiariam as mãos. Levantando um dos pés, a mesa daria ( enquanto se recitava o alfabeto ) uma pancada toda vez que fosse proferida a letra que servisse ao espírito para formar as palavras, esse processo, ainda que muito lento, produziu resultados excelentes e assim se chegou as mesas girantes ou falantes.

Há que notar que as mesas não só se levantavam em um pé para responder as perguntas que se faziam, mas também moviam-se em todos os sentidos, girava no ar, girava sobre o dedo dos experimentadores sem que se descobrissem qual a causa de tais movimentações.

O fenômeno das mesas girantes propagou-se muito rapidamente e durante muito tempo entreteve a curiosidade dos salões. Nas festas de sociedade, médiuns eram convidados a provocar tais fenômenos para a diversão e curiosidade dos presentes, no entanto, com o passar do tempo, os frívolos e interesseiros foram se afastando só ficando na observação da tais fenômenos os investigadores sérios e interessados no estudo da origem científica do acontecido.

As mesas girantes representarão sempre um dos pontos de partida da Doutrina Espírita, pois foi através delas que o insigne pesquisador e professor Hippolyte Léon Denizard Rivail tomou conhecimento de sua missão de codificação da doutrina dos espíritos.

O professor Hippolyte tomou contato com o fenômeno das mesas girantes por volta de 1854 através de seu amigo o Sr. Fortier, que era magnetizador e com o qual estabeleceu amizade em virtude de seus estudos sobre o magnetismo. O Sr. Fortier um dia lhe falou: "Eis uma coisa mais do que extraordinária: não somente magnetiza-se uma mesa, fazendo-a girar, mas também a fazem falar; perguntam e ela responde". O professor Hippolyte responde: "Isto já é outra questão, só acreditarei quando puder ver com meus próprios olhos e quando me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que pode tornar-se sonâmbula, por enquanto, se me permite, considerarei a tudo um conto de fadas".

O senhor Pattier, funcionário público, de meia idade, muito instruído, de caráter sério, frio e calmo; de falar ajuizado, isento de qualquer arroubo, causou-lhe excelente impressão e ao convidá-lo para assistir, a casa da Sra. Pleinemaison, na rua Grange Beteliere nº 18, em Paris, aceitou com entusiasmo. Numa Terça feira de maio de 1855 o senhor Hippolyte assistiu pela primeira vez os fenômenos das mesas que giravam, saltavam, em condições tais que não deixavam dúvida qualquer, e é ele mesmo que descreve suas impressões iniciais: "Eu entrevia, naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a revelação e uma nova lei, que resolvi estudar a fundo. Tive o ensejo de ver comunicações contínuas e respostas à perguntas formuladas, algumas vezes, mentalmente, o que acusavam a intervenção de uma inteligência estranha".

E continua o Grande codificador da Doutrina Espírita: " Compreendi antes de tudo, a gravidade da exploração que ia empreender; percebi, naqueles fenômenos, a chave do problema tão obscuro e tão controvertido do passado e do futuro da humanidade, a solução que eu procurava em toda a minha vida. Fazia-se mister, portanto, andar com a maior circunspecção e não levianamente; ser positivista e não idealista, para não se deixar iludir". E foi assim que mais tarde, depois de muito estudar a comunicação com os espíritos, o senhor Hippolyte Leon Denizard Rivaill adotou o pseudônimo de Allan Kardec.

 

 

 

AULA 3

Allan Kardec

 

Allan Kardec nasceu na cidade de Lion, na França, em 3 de outubro de 1804, recebendo o nome de Hippolyte Leon Denizard Rivaill. Os estudos de Kardec foram iniciados em Lion, tendo-os completado em Yverdon, na Suíça, sob direção do célebre e inesquecível professor Pestalozzi. Teve uma sólida instrução, servida por uma robusta inteligência. Ele conhecia o alemão, inglês, francês, italiano, espanhol e holandês. Tinha grande cultura científica.

Seu trabalho pedagógico é rico e extenso. Produziu na França, quase uma dezena de livros sobre educação no período de 1824 a 1849. Os seus livros foram adotados pela universidade da França. Traduzia para a língua alemã, que conhecia profundamente, diferentes obras de educação e de moral e, dentre elas, "Telêmaco" de Fénelon.

Foi Bacharel em Ciências e Letras, membro das Sociedades Sábias da França, da Real Academia de Ciências Naturais, entre outras. Emérito educador, criou em Paris o Instituto Técnico, estabelecimento de ensino com base no método Pestalozzi. Foi professor do Liceu Polimático. Fundou em sua casa cursos gratúitos de Química, Física, Anatomia Comparada e Astronomia. Criou um método original com processos mneumônicos que ajudavam o estudante a aprender mais rápido e com maior facilidade.

Allan Kardec foi escolhido para a tão elevada missão de codificador da Doutrina Espírita justamente pelo seu caráter e pela sua nobreza de sentimentos e pela elevação de seus ideais, tudo isso aliado a uma sólida inteligência.

Ele sujeitava os seus sentimentos e seus pensamentos à reflexão. Tudo era submetido ao poder da lógica. Nada passava sem o rigor do método, sem o crivo do raciocínio. Filósofo, benfeitor, idealista, dado às idéias sociais, possuía, ainda, um coração digno de seu caráter e do seu valor intelectual.

De seu trabalho gigantesco relacionamos:

 

O livro dos Espíritos (1857)

O Livro dos Médiuns (1861)

O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864)

O Céu e o Inferno (1865)

A Gênese (1868)

 

Produziu algumas obras complementares:

 

O Que é o Espiritismo

Obras Póstumas

A Revista Espírita

 

Além de fundar em Paris, a 1 de abril de 1858, a primeira sociedade espírita regularmente constituída com o nome de Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

O Senhor Hippolyte retornou à pátria espiritual no dia 31 de março de 1869 vitimado pelo rompimento de um aneurisma, deixando para o mundo um verdadeiro roteiro para a auto reforma e para a reconstrução do eu interior de cada um baseado na maravilhosa Doutrina de Jesus, que um dia nos prometeu um consolador que nos lembraria de tudo que ele teria dito, nos diria mais coisas e que estaria conosco até o final dos tempos.

 

"Reconhece-se o verdadeiro espírita pelo esforço que empreende em realizar a sua reforma íntima"

 

                                                                                                                                        Allan Kardec

 

 

 

AULA 4

O triplo aspecto da Doutrina Espírita

 

"O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma Doutrina filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as conseqüências morais que resultam dessas mesmas relações." 

Allan Kardec

O espiritismo possui três aspectos que são as suas bases: filosofia, ciência e religião.Como o próprio Kardec falava: "Uma filosofia com aplicações científicas e conseqüências morais". Os três aspectos sempre devem estar em equilíbrio para garantir a pureza doutrinária. 

CIÊNCIA - Método Científico

A ciência espírita tem como objeto de estudo a comunicabilidade com o mudo dos espíritos e os meios através dos quais essas comunicações podem ocorrer. Seguindo sempre o método científico e a observação severa da lógica, a ciência espírita procura explicar e documentar as formas de comunicação: como elas ocorrem, porque ocorrem e quando ocorrem, assim como seus significados e conseqüências. Estuda também as formas de se conseguir estas comunicações, a natureza dos espíritos e a forma de identificar seus diferentes estágios de evolução. A ciência espírita está contida em "O Livro dos Médiuns" lançado em 1861.

FILOSOFIA - Novos campos para o conhecimento

A filosofia espírita trata de temas como Deus, o espírito, a matéria, a imortalidade da alma, a reencarnação, as pluralidade dos mundos habitados, entre outros. A filosofia espírita nos proporciona a fé raciocinada, ou seja, a fé embasada no conhecimento lógico dos porquês da nossa existência: de onde viemos, o que estamos fazendo aqui, para onde vamos, etc. Como afirmou Kardec: "fé inabalável é aquela que pode encarar de frente a razão em todas as épocas da humanidade".

A filosofia espírita está contida em "O Livro dos Espíritos" primeiro livro da codificação espírita lançado em 1857. 

RELIGIÃO - Aperfeiçoamento Moral

A religião espírita está embasada nos preceitos científicos e filosóficos da Doutrina, são as suas conseqüências. Não possui liturgias, nem sacerdotes, nem cânticos, batizados ou cerimônias de qualquer natureza. Não se utiliza de nenhuma imagem, vestimentas ou oferenda, não faz uso de velas, incenso ou amuletos. 

Tudo se baseia no conhecimento do evangelho de Jesus Cristo e na busca do aperfeiçoamento moral, através da reforma íntima e da prática da caridade em seus mais amplos aspectos (moral e material). A base da religião espírita está contida em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", lançado em 1864.

Como podemos observar, o espírita é aquele que estuda, compreende e aplica na prática os ensinamentos dos espíritos. É acima de tudo um questionador, um investigador lógico e dotado de censo crítico. Só assim podemos adquirir a fé raciocinada e iniciar nosso processo de reforma interior, com a certeza que estes ensinamentos são a expressão da verdade e que devemos nos esforçar para alcançar um nível maior de evolução, pois temos o conhecimentos que cada um recebe de acordo com suas obras, que somos o resultado de nossos atos passados e seremos o resultado de nossas atitudes de hoje.

Como disse Allan Kardec: "O verdadeiro espírita é aquele que empreende esforços para realizar a sua reforma íntima. . . " 

Por isso, devemos nos empenhar em estudar a Doutrina em seus três aspectos, não apenas em uma só parte. Devemos ler, estudar, comparar, passar tudo pelo crivo da lógica e da razão, esquecendo os velhos dogmas da antigas religiões que pregavam a fé cega e lutar para termos uma melhora nas nossas atitudes.

 

 

AULA 5

Os Espíritos

 

Muitos falam: "O meu espírito é ainda muito atrasado", como se o espírito fosse algo separado da nossa individualidade, só que nós somos espíritos, espíritos encarnados, envolvidos na roupagem de carne para interagir no mundo físico em busca da nossa melhora espiritual.

Quando o homem perde seu corpo no fenômeno conhecido como "morte", seu espírito que no estado encarnado é conhecido como alma, se liberta e vai aonde suas tendências vibratórias o atrair. Não se transforma em santo só pelo fato de ter desencarnado, continua com os mesmos desejos, vícios, manias, gostos, virtudes e imperfeições de quando encarnado.

O espírito não é como muitos pensam, uma fagulha de luz, uma "fumaça" ou algo sem forma ou definição. Os espíritos possuem a mesma forma que tinham quando estavam encarnados, possuem um corpo fluídico, que preservam após a separação do corpo de carne. Este corpo fluídico é indestrutível e dá forma ao espírito, é o responsável também pela ligação do espírito ao corpo no estado encarnado, é o chamado perispírito.

No ser encarnado existem então três elementos essenciais: O espírito, o perispírito e o corpo físico. 

O espírito é a individualidade;

O perispírito o corpo fluídico que envolve esta individualidade;

O corpo físico o veículo pelo qual o espírito se manifesta no mundo físico.

Quando o corpo de carne fica velho e não pode mais funcionar o espírito o abandona como a borboleta abandona o casulo. Ele leva consigo todas as impressões do período em que permaneceu encarnado, permanecendo no mesmo estado mental que possuía antes de sua desencarnação, podendo melhorar ou piorar no contato com a nova vida. 

Quando livre da carne o espírito continua com os mesmos sentidos e percepções que tinha quando encarnado, só que em grau mais elevado pois não possui mais a limitação da matéria, possuem sensações desconhecidas dos encarnados, escutam e vêem coisas que os sentidos do corpo físico não podem captar. Para eles não há escuridão, são capazes de sentir os pensamentos dos homens e podem lê-los como em um livro. Tudo que pensam provoca um efeito real para eles.

Quando estamos desencarnados não podemos esconder nossas imperfeições como fazemos no estado encarnado, tudo o que pensamos e o que desejamos se expressa de forma real e pode ser visto por todos aqueles companheiros que estão ao nosso redor, esse é o tribunal que vai nos julgar na hora da nossa chegada ao mundo espiritual, aqueles que possuem bons hábitos mentais e disciplina vão exibir belas imagens, em contrapartida aqueles que permanecem nos vícios sempre estarão emitindo as penosas impressões de suas imperfeições e isso será para eles um tormento.

Os espíritos se ocupam com atividades compatíveis com seu nível evolutivo na espiritualidade, existe trabalho, estudo assim como ociosidade, vícios e inferioridades. O paraíso e o inferno são estados mentais. Um espírito equilibrado pode estar vivendo no paraíso mental mesmo estando em uma região infeliz assim como um espírito sofredor pode estar vivendo um inferno mesmo estando em meio a espíritos evoluídos.

Os espíritos estão em toda parte e alguns deles até convivem conosco no nosso dia a dia. Eles são atraídos pelo nosso padrão mental e compartilham de nossas idéias nos sugerindo outras e participando de nossas ações. Assim, espíritos evoluídos podem nos sugerir bons pensamentos e nos ajudar a enfrentar nossos problemas e espíritos viciosos podem nos levar a perturbações e desvios de conduta. Por esse motivo é importante nossa educação mental para selecionarmos nossas companhias. 

Os que nos amaram continuam nos amando e os que nos odiaram continuam nos odiando e os encontraremos no momento em que nos livrarmos do nosso corpo físico.

Assim, os espíritos são as almas dos homens sem o corpo, continuando com as mesmas características que possuíam antes da sua "morte".

 

 (continua)

publicado por rcardigos às 18:10

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