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Domingo, 11 de Junho de 2006

Curso Basico de Espiritismo - Parte 2 de 2

(continuaçâo)

AULA 6

Comunicação com o mundo invisível

 

Admitidas a existência, a sobrevivência e a individualidade da alma, o espiritismo reduz-se a uma só questão principal: Serão possíveis as comunicações entre os espíritos e os viventes ?

Essa possibilidade foi demonstrada pela experiência; e, uma vez estabelecido o fato das relações entre o mundo visível e o mundo invisível, e conhecidos a natureza, o princípio e o modo dessas relações, abriu-se um novo campo à observação, encontrando-se a chave para um grande número de problemas.

Fazendo cessar a dúvida sobre o futuro, o espiritismo é poderoso elemento de moralização. O que faz nascer na mente de muitas pessoas a dúvida sobre a possibilidade das comunicações de além-túmulo, é a idéia falsa que se tem do estado da alma depois da morte.

Pensam que a alma depois da morte é um sopro, uma fumaça, uma coisa vaga e apenas admissível ao pensamento, que se evapora e vai, não se sabe para onde, mas naturalmente, para lugar tão distante que se custa a compreender como possa tornar à terra.

Se ao contrário, for considerada unida a um corpo fluídico, semimaterial, formando com ele um ser "concreto" e indivisível, as suas relações com os viventes nada tem de incompatível com a razão.

O mundo visível, vivendo no meio do invisível, com o qual está em contato perpétuo, origina uma incessante reação de cada um deles sobre o outro, e pode-se dizer que, desde que houve homens, houve também espíritos, e que, se estes tem o poder de se manifestar, devem tê-lo feito em todas as épocas e entre todos os povos.

Entretanto, nestes últimos tempos, as manifestações dos espíritos tomaram grande desenvolvimento e adquiriram caráter de maior autenticidade, porque estava nas vistas da providência pôr termo à praga de incredulidade e do materialismo, com provas evidentes, permitindo, aos que deixaram a terra, vir atestar a sua existência e revelar a sua situação feliz ou infeliz.

As relações entre os mundos visível e invisível podem ser ocultas ou patentes, espontâneas ou provocadas.

Os espíritos atuam sobre os homens de forma oculta, sugerindo-lhes pensamentos e influenciando-os, de modo patente, por meio de efeitos apreciáveis aos sentidos.

As manifestações espontâneas dão-se inopinadamente e de improviso; elas se produzem, muitas vezes, entre as pessoas mais estranhas às idéias espíritas e que, por causa disso, sem ter meios de explicá-las, atribuem-nas as causas sobrenaturais. As que são provocadas, dão-se por intermédio de certos indivíduos dotados, para isso, de faculdades especiais e denominados de médiuns.

Os espíritos podem manifestar-se de diversas maneiras diferentes: pela vista, pela audição, pelo tato, produzindo ruídos e movimentos de corpos, pela escrita, pelo desenho, pela música, etc.

As vezes os espíritos se manifestam espontaneamente por pancadas e ruídos; é este, muitas vezes, o meio que eles empregam para atestar a sua presença e chamar sobre si a atenção, exatamente como nós, quando batemos para dar aviso de que alguém chegou à porta.

Alguns não se limitam a ruídos moderados, pois produzem barulho semelhante a louça que cai e se despedaça no chão, portas que se abrem e fecham com grande estrondo, móveis lançados ao chão, e alguns chegam mesmo a causar uma perturbação real e verdadeiros estragos.

 

 

AULA 7

Noções sobre a mediunidade

 

A mediunidade é uma condição orgânica, de que todos nós somos dotados, como a de ver de ouvir e de falar. Não há nenhuma de que o homem, em conseqüência de seu livre arbítrio, não possa abusar. Ora, se Deus não tivesse concedido a palavra, por exemplo, senão aos que são incapazes de dizer coisas más, haveria mais mudos do que falantes. Deus entregou as faculdades aos homens, dando-lhes liberdade de usá-las como quiser, mas sempre sofremos as conseqüências de seu uso, mal ou bom.

Mediunidade é a faculdade, ou aptidão, que possuem certos indivíduos, denominados médiuns, de servirem de intermediários entre os mundos físico e espiritual.

A mediunidade é dada sem distinção, a fim de que os espíritos possam levar a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos virtuosos para os fortalecer no bem, aos viciosos para os corrigir. O seu uso é que a caracteriza. A mediunidade não implica, necessariamente, nas relações habituais com os espíritos superiores. É simplesmente uma aptidão, para servir de instrumento, mais ou menos dócil, aos espíritos em geral. O bom médium não é, portanto, aquele que tem facilidade de comunicação, mas o que é simpático aos bons espíritos e só por eles é assistido. É nesse sentido unicamente, que a excelência das qualidades morais é de importância absoluta para a mediunidade. Elas podem ser cultivadas pela oração e pela vigilância íntima.

Este dom de Deus não é concedido ao médium para seu deleite e, ainda menos, para a satisfação de suas ambições, mas para fim de sua melhoria espiritual e para dar a conhecer aos homens a verdade. Se o espírito verifica que o médium já não corresponde às suas visitas e já não aproveita das instruções e dos conselhos que lhe dá, afasta-se, em busca de um protegido mais digno. Dai, a importância da conduta a mais irrepreensível, como testemunho do médium.

Ninguém deverá forçar o desenvolvimento desta ou daquela faculdade, porque, nesse terreno, toda a espontaneidade é necessária; observando-se, contudo, a floração mediúnica espontânea, nas expressões mais simples, deve-se aceitar o evento com as melhores disposições de trabalho e de boa vontade, seja essa possibilidade psíquica a mais humilde de todas. Não existe mediunidade mais preciosa uma que a outra.

A primeira necessidade do médium é evangelizar-se a sim mesmo antes de se entregar a grandes tarefas doutrinárias, pois, de outro modo, poderá esbarrar sempre com o fantasma do personalismo, em detrimento de sua tarefa.

O médium tem por obrigação estudar muito, observar intensamente e trabalhar em todos os instantes pela sua própria iluminação.

Cobrar dinheiro ou qualquer outro tipo de benefício para a realização de trabalhos mediúnicos constitui um ato criminoso, no qual o médium deverá esperar no futuro as conseqüências mais dolorosas.

O primeiro inimigo do médium reside nele mesmo. Freqüentemente é o orgulho, o egoísmo, a ambição, a vaidade , que não raro o conduzem a invigilância, a leviandade e ao desequilíbrio.

 

 

AULA 8

A Reecarnação - parte I

 

A encarnação é o processo pelo qual os espíritos se ligam a corpos materiais, densos, para terem contato com a vida física e orgânica com o objetivo de evolução moral.

Deus impõe aos espíritos a encarnação com o objetivo de fazê-los chegar à perfeição, passando por todas as vicissitudes da existência corporal. Visa ainda outro fim a encarnação: O de colocar o espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o espírito um instrumento, em harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, correndo para a obra geral, ele próprio se adianta.

Todos são criados simples e ignorantes e se instruem nas lutas e tribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não podia fazer felizes a uns, sem fadigas e trabalhos, conseguintemente sem mérito.

Daí conclui-se que, os seres considerados eleitos, anjos, arcanjos, querubins e serafins são a representação das almas que já atingiram, pelo seu esforço, graus de elevação espiritual, passando, como não poderia deixar de ser, pelos mesmos estágios inferiores da escala evolutiva.

O atrasado possui inclinação para o mal, inteligência limitada; regozija-se com violência, compraz-se na vida viciosa. Quando deixa o corpo, os sentimentos os acompanham. Com a evolução, eles vai se modificando. As lutas do mundo, os sofrimentos através das vidas, é que lhe vão aprimorando a alma.

A terra é como escola e hospital. Vê-se o aluno ir progredindo à proporção que muda de classe; a sua cultura é em função do tempo e do estudo; quando o corpo se enfraquece o doente vai a um hospital, onde o médico lhe medica e restitui as forças.

Assim é a terra para o homem. Aqui ele chega como selvagem ou bárbaro e continua a sua peregrinação, curando-se no hospital planetário com a terapêutica do sofrimento, iluminando-se com as lições que recebe de vida em vida, até que, inteiramente puro, fica livre das vidas materiais e entra para as regiões de paz; a felicidade consiste nessa tranqüilidade dos justos; não a podemos perceber nem vislumbrar, porque nunca a possuímos, envoltos nos turbilhões, no nevoeiro, nas paixões violentas desse mundículo onde nos encontramos atolados.

Os espíritos que seguem o caminho do bem chegam mais depressa aos estágios mais elevados da alma; sendo as aflições da vida fruto da imperfeição do espírito, quanto menos imperfeições menos tormentos. Aquele que não for invejoso, nem ciumento, nem avaro, nem ambicioso, não sofrerá as torturas que se originam dessas imperfeições.

 

 

AULA 9

A Reencarnação - Parte II

 

Depende dos espíritos progredirem mais ou menos rapidamente em busca da perfeição, conforme o desejo que apresentam de atingir um nível mais elevado e a submissão que apresentam às vontades de Deus. Os espíritos não podem se conservar eternamente em ordens inferiores; mudam de ordem mais rápida ou demoradamente, porém não podem regredir. A medida que avançam, compreendem o que os distancia da perfeição. O espírito ao concluir uma prova fica com a ciência que dai veio a não a esquece. Pode permanecer estacionário durante algum tempo, porém não retrograda.

A encarnação é necessária ao duplo progresso moral e intelectual do espírito: ao progresso intelectual pela atividade obrigatória do trabalho; ao progresso moral pela necessidade recíproca dos homens entre si. A vida social é a pedra de toque das boas ou más qualidades.

Uma só existência corporal é insuficiente para o espírito adquirir todo o bem que lhe falta e eliminar o mal que lhe sobra.

Como poderia um selvagem, por exemplo, em uma só encarnação nivelar-se moral e intelectualmente a um homem civilizado e estudado ? é materialmente impossível. Deve ele, pois, ficar eternamente na ignorância e barbaria, privado dos gozos que só o desenvolvimento das faculdades pode proporcionar ?

O simples bom senso repele tal suposição, que seria não somente a negativa da justiça e bondade divinas, mas das próprias leis evolutivas e progressivas da natureza. Mas, Deus, que é soberanamente justo e bom, concede ao espírito tantas encarnações quantas as necessárias para atingir seu objetivo - a perfeição.

Com a reencarnação, desaparecem os preconceitos de raças e de castas, pois o mesmo espírito pode tornar a nascer rico ou pobre, capitalista ou proletário, chefe ou empregado, livre ou escravo, homem ou mulher. De todos os argumentos invocados contra a injustiça da servidão e da escravidão, contra a sujeição da mulher à lei do mais forte, nenhuma há que prime, em lógica, ao fato material da reencarnação. Se, pois, a reencarnação funda numa lei da natureza o principio da fraternidade universal, também funda na mesma lei o da igualdade dos direitos sociais e, por conseguinte, o da liberdade.

A reencarnação é um processo de aperfeiçoamento espiritual. A volta do espírito à vida corporal tem o objetivo, não é "ação do acaso", nem "capricho dos céus" não há experiência reencarnatória sem motivo, ensina o espiritismo.

Muitos argumentos contra o fato da reencarnação dizendo que isto seria impossível pois o espírito do homem é criado na hora de seu nascimento e que após sua morte nada mais lhe restaria que esperar o seu julgamento. Mas nós espíritas temos a condição de derrubar esta teoria, através da lógica. Se é verdade que o espírito humano é criado no momento de seu nascimento, então como é que se explica que alguns nascem perfeitos e bonitos enquanto que outros nascem defeituosos, cegos, aleijados ? Um erro genético, diriam alguns. Mas levando em consideração que Deus é um ser perfeito em todas as suas manifestações, e que é Ele que nos cria, como poderíamos aceitar que Ele tenha "errado" e tenha produzido alguma coisa imperfeita ? Se Deus é infinitamente perfeito, todas as suas manifestações tem, obrigatoriamente, que serem perfeitas. Então como se explica tamanha distorção da lógica, como se explica esta suposta "injustiça" de Deus, pois se para alguns dá perfeitas condições de sucesso na vida, a outros não dá nada mais que um corpo defeituoso e cheio de sofrimentos ?

Só existe uma explicação lógica que nos dissipa o véu da ignorância e nos faz enxergar a grandiosidade da justiça divina e da infinita misericórdia de Deus, que nos permite retornar à carne para reparar o mal que fizemos outrora. É a reencarnação, que nos mostra que somos hoje o resultado de nossos atos do passado, e seremos amanhã o resultado do que somos hoje. Tomando o conhecimento desta lei divina, temos a obrigação da prática da caridade e da modificação interior, pois este é o único caminho para um futuro melhor.

 

 

AULA 10

A Prece - Alimento do Espírito

 

"E quando orardes, não imiteis os hipócritas que costumam exibir-se, orando em pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens; em verdade vos digo que eles já receberam a sua recompensa. Mas, quando orardes, entrai em vosso quarto e, fechada a porta, orai a vosso pai em segredo; e vosso pai, que vê o que se passa em segredo, vos recompensará. E quando orardes não faleis muito, como fazem os gentios que pensam que é pelo muito falar que serão ouvidos. Não vos torneis, pois, semelhantes a eles; porque vosso pai sabe o que vos é necessário, antes mesmo que lho peças."  ( Mateus cap. 6 Vers. 5 a 8 )

"Por isso vos digo: tudo o que pedirdes, orando, crede que o haveis de obter e ser-vos-á dado. Mas, quando vos puderdes em oração, se tiverdes alguma coisa contra alguém, perdoai-la, para que também vosso pai, que está nos céus, vos perdoe vosso pecados. Pois, se vós não perdoardes, também, vosso pai, que está nos céus, não perdoará vossos pecados."  ( Marcos Cap. 11 Vers. 24 a 26 )

"E propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos como se fossem justos, e desprezavam os outros. Subiram dois homens ao templo para orar; um era fariseu, o outro publicano. O fariseu, posto em pé orava em seu interior desta forma: Graças te dou, ó Deus, que não sou como os demais homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como esta publicano. Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de tudo o que possuo. O publicano, porém, mantendo-se a distância, não ousava sequer levantar os olhos para o céu, mas batia no seu peito dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim pecador. Digo-vos que estou justificado para a sua casa, e não o outro, porque todo o que se exalta será rebaixado e todo o que se humilha será exaltado." ( Lucas cap. 18 vers. 9 a 14 )

As qualidades da prece foram, assim, distintamente definidas por Jesus, quando nos recomendou que, ao orarmos, não procurássemos nos exibir, mas que fizéssemos isso em segredo, com humildade, simplicidade e sem muitas palavras porque não é pelo muito falarmos que seremos ouvidos, mas pela sinceridade com que fizermos a prece. Se tivermos algum ressentimento contra alguém, devemos perdoá-lo antes de orarmos, porque somente será agradável a Deus a prece dita com fé, com fervor e sinceridade, plena de caridade com o próximo. Na prece devemos tomas atitude humilde como a do publicano e não orgulhosa como a do fariseu. 

A fé na vida do homem é como um cantil na vida do viajante do deserto. Na grande viajem de travessia do deserto mortal o viajante Beduíno encontra consolo e fortificação em seu cantil que contém a água abençoada e preciosa. Assim também é a água que refresca nosso espírito nos mantendo no caminho, na travessia do grande deserto das dificuldades da vida encarnada. É o contato mais próximo com Deus, uma verdadeira conversa com nosso Pai amoroso, que está sempre disposto a nos ouvir e a nos amparar, desde que o procuremos com fé, respeito, sinceridade, humildade, livre de qualquer sentimento de vingança ou ódio.

A prece tem um efeito muito maior do que nós podemos imaginar, todo pensamento irradia um campo magnético correspondente, quando temos pensamentos de ódio ou rancor, a nosso psicosfera se modifica, tornando-se negra e atraindo toda sorte de vibrações negativas e entidades sofredoras, mas quando oramos com fé uma verdadeira revolução vibratória se faz sentir, não só nós mas todo o ambiente se encho com poderoso fluido positivo que impregna a todos que ali se encontram, destruindo os miasmas e acalmando a todos. Isto acontece porque estas vibrações vem de Deus como um recompensa a nossa submissão e nossa fé. É a água do cantil que se faz presente.

É necessário que nós criemos o hábito da oração, pelo menos duas vezes ao dia. Ao acordar e ao deitar, para que sempre possamos estar em contato com os bons espíritos, nos fortalecendo para o dia a dia, agradecendo a Deus a benção da vida. Para orar não é necessário uma prece decorada, pelo contrário, devemos orar com consciência do que estamos dizendo, estabelecendo um verdadeiro diálogo com Deus. As preces ditas decoradas não tem efeito algum, alguma pessoas rezam o Pai nosso, por exemplo, e nem sabem o que estão dizendo, não sabem nem o que significam aquelas palavras.

 

ATENÇÃO: ESTE CURSO TEM CONTINUIDADE COM O CURSO BÁSICO DE MEDIUNIDADE OFERECIDO POR ESTE PORTAL !

publicado por rcardigos às 18:11

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